Imagine que você descobriu um jeito novo de realizar seu trabalho. Ao implementar as mudanças, você conseguiu realizar todas as suas funções na metade do tempo.

Agora imagine que, por causa disso, você foi até o seu chefe para negociar a flexibilização da sua jornada de trabalho.

De maneira objetiva, explicou o novo processo, informou que depois de implementá-lo o mesmo trabalho passou a ser realizado na metade do tempo e mostrou os indicadores positivos. Por causa das melhorias, solicitou uma redução de duas horas em sua jornada de trabalho atual para se dedicar a um novo projeto paralelo.

O que acontecerá?

Se considerarmos a realidade da maioria das empresas, provavelmente teremos o seguinte cenário:

Caso o líder seja uma pessoal legal, irá te parabenizar pela proatividade.

O reconhecimento acabará neste ponto. A conversa, então, passará a girar em torno do seu pedido de redução de jornada de trabalho.

Seu pedido será negado e a justificativa será de que o contrato de trabalho prevê que todo funcionário deve ficar à disposição da empresa por 40 horas semanais.

A referência ao projeto paralelo será vista pela maioria como falta de comprometimento com a empresa.

Como prêmio por sua inovação, você ganhará um conjunto de novas tarefas (provavelmente inúteis) para preencher o tempo economizado.

Essa breve passagem serve para ilustrar um dos paradigmas da organização do trabalho no contexto da sociedade industrial: a remuneração exclusivamente baseada em horas trabalhadas.

A síndrome dos ocupados improdutivos

Nos meus tempos de corporação havia um tipo bem comum. Aquele funcionário que andava pelos corredores com cara de cansado, que pulava de reunião em reunião o dia inteiro e fazia questão de mostrar a todos que ficava no escritório até tarde. Para ele, toda pergunta ingênua do tipo “e aí fulano, como vão as coisas?” era uma oportunidade de discursar sobre o quanto ele era um herói trabalhador em sua rotina atribulada.

O que havia em comum entre a maioria dos representantes dessa categoria?

Pouquíssima realização e muito discurso.

O que importa no fim do dia para uma parte significativa dos trabalhadores assalariados é parecer ocupado. Afinal, todos tem uma carga horária a cumprir. O efeito colateral é o surgimento de processos inúteis e controles desnecessários. Burocracia criada para justificar a existência das estruturas corporativas e não para otimizar os resultados esperados.

Esse contexto estabelecido reforça uma crença limitante em parte significativa dos trabalhadores: a valorização do esforço em detrimento dos resultados alcançados. Reforça também uma falsa sensação de segurança e estabilidade.

Ao valorizar o esforço acima de tudo colocamos em segundo plano a necessidade de alcançar resultados.

Isso se reflete em uma falsa sensação de segurança e estabilidade. Gera acomodação, já que o simples fato de cumprir uma carga horária pré-definida garante a contrapartida. Assim, milhões de trabalhadores se contentam em passar a vida realizando tarefas sem sentido e que não geram valor algum para a sociedade.

No plano individual, passar a vida realizando atividades desprovidas de sentido em troca de um salário fixo pode ter custos significativos para a saúde física e mental daqueles que se submetem a tais circunstâncias.

Já convivi e trabalhei com centenas de pessoas nessa situação. O mais triste é ver tanta gente talentosa acreditar que não existem opções.

Sim, elas existem.

O ponto de partida é entender de que forma seu trabalho cria valor para outras pessoas.

Se você não consegue responder essa questão de forma objetiva, talvez seja o caso de refletir um pouco mais sobre empregabilidade e legado.

Outra reflexão importante: por quanto tempo esse modelo de trabalho ainda será sustentável no contexto pós-digital?

Profissionais orientados a resultados definem processos e tarefas em função da geração de valor, nunca o contrário.

Há uma famosa frase de Zig Ziglar, que sempre levo em consideração todas as vezes que vou iniciar um novo projeto.

“Você pode ter o que quiser na vida se ajudar o suficiente outras pessoas a conseguirem o que elas querem”.

Empreender é resolver problemas, atender necessidades e desejos. Todo trabalho deveria ser encarado como um empreendimento. O dinheiro vem na medida em que você ajuda mais pessoas. Quanto mais problemas você resolve, mais dinheiro você ganha. Esse processo nada tem a ver com estar ocupado realizando tarefas desnecessárias. Tire o foco das tarefas e foque na geração de resultados.

As pessoas mais bem-sucedidas são aquelas que compreendem que viemos ao mundo para servir.