Aos atuais e futuros líderes, um conselho: não banalize sua autoridade.

Funciona assim: o sujeito vira líder e, de repente, não precisa mais fazer tudo sozinho. Há uma equipe para a qual distribuir tarefas e delegar atividades. O nome disso é autoridade. Uma rápida pesquisa no Google me retorna os seguintes significados para o termo: direito que determina o poder para ordenar; poder exercido para fazer com que alguém obedeça.

Ter poder é ótimo, mas saber exercê-lo na medida certa é uma arte que poucos dominam. Já dizia Benjamim Parker (não, ele não é nenhum pesquisador ou autor de livros de administração; é o tio do Homem-Aranha), grandes poderes trazem grandes responsabilidades. Ainda que seus poderes não sejam tão grandes assim, guarde no coração a lição do Tio Ben.

Autoridade formal é bem diferente de autoridade conquistada. Enquanto a primeira se origina do cargo que você ocupa, a segunda vem do respeito que você adquire a partir de suas atitudes. Se a primeira chega assim que você é promovido, a segunda deve ser obtida, dia após dia, nas trincheiras ao lado do seu time.

O exercício da autoridade é como manusear um cristal frágil, portanto tome cuidado com suas atitudes. Não saia ordenando qualquer coisa, de qualquer jeito, apenas porque é uma prerrogativa da sua posição. Saber delegar da forma correta é um dos grandes aprendizados da liderança. Uma questão comum que acomete novos e antigos gestores é errar a mão na hora de demandar.

Delegar deve ser uma ação estratégica. O gestor deve conhecer as competências e peculiaridades de cada funcionário. Deve também conhecer bem cada projeto que está sob sua responsabilidade e como ele será desdobrado em atividades menores.

Delegar uma atividade sem nenhum tipo de relação com um objetivo real vai minando pouco a pouco o comprometimento de sua equipe. Determinar atividades que demandam tempo e esforço e que não serão utilizadas para nada pode fazer com que um funcionário se sinta inferiorizado. Deixar sua equipe de fora das discussões realmente importantes é um recado claro de falta de confiança. Afinal, a eles só caberiam as tarefas secundárias e operacionais? Quem nunca realizou um trabalho sem entender o propósito daquele esforço ou, pior ainda, sabendo que não há nenhum significado na atividade? Você lembra como se sentiu? Autoridade formal não garante comprometimento e os comportamentos descritos são um atalho para deixar de ter o respeito e a parceria dos membros do seu time.

Eu não estou falando de uma guerra declarada, quando o subordinado passa a fazer corpo mole e bater de frente deliberadamente contra quaisquer atitudes da chefia, falo do grau de discricionariedade que todo funcionário possui para gerenciar suas atividades. Se ele poderia operar em 100% de sua capacidade, passará a te dedicar 60%. Se ele poderia entregar aquela apresentação em um dia, fará em três. Se poderia sugerir uma solução válida em uma reunião, prefere se omitir e pagar para ver no que vai dar. Se poderia propor e gerenciar um novo projeto relevante para o futuro da empresa, opta por fazer apenas o que lhe é demandado. Jamais reorganizará sua agenda pessoal para, eventualmente, trabalhar até mais tarde em um trabalho relevante e urgente. Expediente cumprido, ponto batido e tchau. Enfim, falo sobre se restringir ao feijão com arroz e deixar de se aventurar na alta gastronomia. Quanto à isso, pouco se pode fazer utilizando-se de prerrogativas formais e ferramentas de vigilância e punição. Respeito será sempre uma via de mão dupla.

O algo mais, a superação de expectativas chega por meio da autoridade conquistada. Vem da percepção que o chefe está fazendo seu melhor em função de um propósito maior. Ocorre quando o colaborador percebe que o esforço é compartilhado e que o líder coloca a mão na massa junto da equipe. De que todos estão, de fato e de direito, no mesmo barco.

Portanto, muito cuidado ao delegar. Certifique-se de que as tarefas fazem sentido e contribuirão de alguma forma para a construção de um objetivo maior, que realmente precisam ser feitas e estão de acordo com as capacidades do colaborador demandado. Certifique-se de comunicar claramente o sentido de cada atividade. Deixe claro que fornecerá o apoio e as condições necessárias para que ela se realize.

Quer um time comprometido de verdade? Não banalize sua autoridade!

Gestores que se pautam pela lógica do comando e controle jamais entenderão o poder de engajar corações e mentes por meio de um propósito compartilhado.